Durante demasiado tempo, as empresas trataram a saúde mental como “um extra”, quando na verdade ela tem de ser vista necessariamente como estratégica: afeta atenção, memória, tomada de decisões, criatividade, retenção de talento (ou seja: o núcleo da produtividade). 

E os dados confirmam-no:

  • Cerca de 15 % dos adultos em idade laboral têm uma perturbação de saúde mental num dado momento (OMS, 2022);
  • Globalmente, estima-se que 12 mil milhões de dias de trabalho são perdidos por ano devido à depressão e ansiedade – com um custo económico por volta de US$ 1 trilião por ano (OMS, 2022);
  • Na União Europeia, em 2020, cerca de 44,6 % dos trabalhadores empregados relataram enfrentar fatores de risco para o bem-estar mental no trabalho (Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, 2025);
  • Em Portugal, os números são alarmantes: cerca de 22 % da população portuguesa teve uma perturbação mental no ano precedente, um dos valores mais elevados na Europa (OPP, 2023);
  • Em Portugal, custos associados ao stress e problemas de saúde psicológica no trabalho aumentaram mais de 60 % nos últimos dois anos, atingindo cerca de €5,3 mil milhões (OPP, 2023).

Estes números dizem-nos que temos cérebros a funcionar com défice, absentismo, presentismo, turnover, burnout.

Na MindPartner, a premissa é: não basta “fazer apenas um workshop sobre resiliência” ou “distribuir folheto de bem-estar”. É preciso neurociência aplicada + avaliação rigorosa + intervenção personalizada. Eis como isso se traduz:

1. Rastreios Psicológicos

  • Mapear condições cognitivas, emocionais e comportamentais com recurso a instrumentos validados e adaptados ao contexto laboral.
  • Extrair dados agregados para identificar padrões de risco: ex., elevada carga cognitiva, rotinas que favorecem multitasking, falta de recuperação mental.

2. Intervenção baseada em evidência

  • Dinâmicas que envolvem formação para líderes sobre literacia emocional e neurofuncional (como atenção, memória, fadiga cognitiva).
  • Programas de coaching, terapias em grupo, apoio psicológico, adaptados à realidade da organização.
  • Criação de “organizações mentalmente saudáveis”, ou seja, não só tratar o problema, mas redesenhar o contexto de trabalho (autonomia, clareza de função, controlo, pausa cognitiva).

3. Medição de impacto e ciclo de melhoria contínua

  • Através de indicadores de saúde mental + indicadores de negócio (absentismo, rotatividade, produtividade, satisfação).
  • Feedback estruturado, ajustamento das ações com base nos dados. 
  • Formação continuada e cultura organizacional que reforça a prática.

Em termos práticos, partilhamos convosco como pensamos na MindPartner:

A) Como promover

  • Contextualizar: Em vez de “vamos fazer uma sessão sobre stress”, promovemos “como funciona o cérebro sob pressão” — convidando líderes a pensar: o que faço que impede o cérebro da minha equipa de recuperar?
  • Reposicionar a saúde mental como variável-chave de performance e sustentabilidade, e não apenas “bem-estar”.
  • Criar literacia: formar todos para perceberem sinais precoces (não para serem clínicos, mas para reconhecer e agir no âmbito organizacional).

B) Como trabalhar

  • Diagnóstico organizacional: onde estão os gargalos (excesso de reuniões, multitasking, sobrecarga cognitiva, ausência de pausas)?
  • Trajetórias de intervenção com planos distintos: para liderança, para equipas e para colaboradores com necessidades específicas.
  • Integração com a cultura: mudar políticas de trabalho, ambiente, comunicação, de forma a tornar a “recuperação mental” um ativo.

C) Como abordar

  • Quebrar o estigma: dados de 2025 revelam que, por exemplo nos EUA, 42 % dos trabalhadores receavam o impacto negativo na carreira se falassem de saúde mental.  
  • Falar verdadeiramente: “Sim, tens carga. Sim, o teu cérebro sente. Sim, precisamos de redesenhar isto.” 
  • Transformar em prática de gestão: Saúde mental não é “uma iniciativa de RH”, é um compromisso estratégico.
  • Criar segurança psicológica: sem isto, os colaboradores não revelam, não participam, não se envolvem. E sem envolvimento, os programas como os da MindPartner não têm sucesso. 

É essencial olharmos para a saúde mental como um ativo estratégico e não como “aquilo que se faz quando dá”.  E por isso, para terminar, deixo aqui perguntas para fazeres a ti próprio (eventualmente algumas delas desconfortáveis):

Achaste que o maior risco para a tua empresa era um concorrente ou a inflação? Que tal agora considerar que o maior risco pode estar dentro: no cérebro da tua equipa que anda a trabalhar em multitasking, sem pausas, sem tarefas definidas e a assistir a 30 reuniões por dia?

Quantos dias de trabalho perdeste porque o teu colaborador estava fisicamente presente, mas cognitivamente desligado?

E quanto te custa o turnover de pessoas que não aguenta mais a pressão?

E se te disséssemos que a forma como estás a gerir a carga cognitiva e emocional da tua empresa está diretamente a afetar a tua linha de resultados?